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Encontrou um animal marinho na praia? Saiba o que NÃO fazer

O resgate de um pinguim na área portuária do Comércio, em Salvador, na segunda-feira, 6, reacendeu uma dúvida frequente entre banhistas e moradores do litoral: como agir ao encontrar um animal marinho fora da água?

Especialistas alertam que a primeira medida é evitar contato e não tentar devolvê-lo ao mar. A orientação é acionar imediatamente os órgãos responsáveis para que equipes treinadas avaliem o animal e providenciem atendimento veterinário.

Larissa Pavanelli, médica veterinária e coordenadora técnica do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA), explica que muitos animais que chegam à faixa de areia estão debilitados, exaustos ou precisam de tratamento. “É importante não devolver os animais para a água. Uma vez encalhados, eles precisam de avaliação veterinária para determinar se é possível uma devolução imediata ou se precisam ser encaminhados para reabilitação. A grande maioria vai precisar de tratamento veterinário”, afirma.

Erros frequentes podem reduzir as chances de recuperação. Entre as atitudes que mais colocam os animais em risco estão:

  • Devolver o animal ao mar sem avaliação veterinária;
  • Oferecer água ou alimento;
  • Tocar, carregar ou manipular o animal sem treinamento;
  • Formar aglomeração de pessoas ao redor do local do resgate.

Segundo o IMA, alguns grupos exigem atendimento imediato quando encontrados na praia: aves marinhas, tartarugas marinhas e golfinhos. Pinípedes, como lobos-marinhos e elefantes-marinhos, podem estar apenas descansando, mas ainda assim devem ser avaliados por equipes especializadas.

Enquanto a equipe não chega, as recomendações são claras e simples:

  • Não tocar no animal;
  • Não oferecer água ou comida;
  • Não tentar devolvê-lo ao mar;
  • Manter crianças e animais domésticos afastados;
  • Evitar barulho e aglomerações;
  • Se possível, isolar a área para facilitar o trabalho dos socorristas.

No caso específico do pinguim resgatado no Comércio, tratava-se de um Pinguim-de-Magalhães. Essa espécie migra da Patagônia durante o inverno em busca de alimento e alguns indivíduos acabam alcançando a costa da Bahia. O animal resgatado chegou a atendimento em quadro de exaustão e caquexia — condição de extrema magreza e debilidade física.

Embora apareçam regularmente no litoral brasileiro, os pinguins não vivem nem se reproduzem no país. A Bahia já registrou ocorrências em diferentes anos e locais, como Itapuã (2024), Canta Galo (2015) e Pituba (2013), o que mostra que esses visitantes ocasionais podem atingir a costa baiana em períodos variados.

Em situações de emergência ou ao encontrar um animal marinho fora do habitat, acione os contatos responsáveis na Bahia:

  • INEMA: (71) 99661-3998
  • COPPA: 190
  • GEPA (somente em Salvador): (71) 3202-5312
  • IMA (de Mangue Seco a Canavieiras): (71) 99679-2383

O principal recado de especialistas e instituições é que qualquer animal marinho fora de seu ambiente natural deve ser avaliado por equipes treinadas. Uma ação bem-intencionada, mas inadequada, pode reduzir as chances de recuperação e retorno seguro ao mar.