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Intenção de compra explode no Nordeste e Bahia começa a colher resultados

Comprar um imóvel nunca esteve tão presente nos planos dos brasileiros. Pesquisa apresentada na quinta-feira, 16, pela Ademi-BA e realizada pela Brain Inteligência Estratégica mostra que a intenção de compra alcançou 52% no país, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2019.

O Nordeste lidera esse movimento: 59% das famílias da região afirmaram ter interesse em adquirir um imóvel nos próximos meses, o maior índice entre todas as regiões do Brasil. Na Bahia, esse cenário de confiança já aparece nos principais indicadores do mercado imobiliário.

O levantamento, referente a maio de 2026, aponta crescimento nas vendas, avanço expressivo do Valor Geral de Vendas (VGV) e redução da oferta final. Em Salvador, foram comercializadas 721 unidades em maio, ante 637 em abril, mostrando aceleração no ritmo de vendas após a recuperação iniciada no mês anterior. Em relação a maio de 2025, as vendas cresceram 74%.

O VGV vendido também avançou, passando de R$ 483 milhões em abril para R$ 553 milhões em maio, sinal de que o aumento das vendas tem gerado mais receita para incorporadoras e para o mercado local.

O desempenho foi puxado principalmente por empreendimentos compactos e de médio padrão, que responderam por 63% e 36% das vendas, respectivamente. Os imóveis compactos ganharam peso: representaram 63% das unidades comercializadas e 64% do VGV lançado em maio, consolidando uma tendência observada nos últimos anos.

Os bairros que mais se destacaram nos lançamentos e nas vendas foram Rio Vermelho, Pituaçu e Ondina. Nos lançamentos, o Rio Vermelho concentrou 66% das novas unidades, seguido por Pituaçu (22%) e Ondina (12%). No desempenho comercial, o Rio Vermelho ficou com 39% das unidades vendidas, Pituaçu com 22%, Caminho das Árvores com 14% e Ondina com 10%.

O levantamento mostra ainda que 97% das vendas ocorreram em Salvador, confirmando a força da capital como principal polo do mercado imobiliário baiano. Ao mesmo tempo, a oferta final na cidade caiu para 3.412 unidades disponíveis, o menor patamar dos últimos anos, o que indica que a velocidade das vendas tem superado o ritmo dos lançamentos.

Um ponto de atenção é o segmento do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Na capital, não houve novos lançamentos do programa em abril e maio, contribuindo para uma queda de 41% no acumulado de lançamentos em relação ao ano anterior. Mesmo assim, as vendas do segmento continuaram aquecidas pela comercialização do estoque existente: foram 490 unidades comercializadas em maio sem novas ofertas.

Na Região Metropolitana, por sua vez, os lançamentos do MCMV foram mantidos e o VGV cresceu, indicando um deslocamento parcial da produção do programa para municípios do entorno da capital.

O conjunto dos indicadores — recorde de intenção de compra no Nordeste, crescimento das vendas, expansão do VGV, redução dos estoques e valorização de empreendimentos — desenha um cenário de confiança para incorporadoras, investidores e consumidores. A perspectiva, segundo a pesquisa, é de que a demanda robusta se transforme em aquisições efetivas ao longo do segundo semestre de 2026.