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Você não vai acreditar quem mais perdeu eleições para governador na Bahia

Disputar o governo da Bahia repetidas vezes, sem vitória, é uma marca que acompanha alguns nomes tradicionais da política estadual. Levantamento do portal A TARDE, que considera exclusivamente as disputas pelo Palácio de Ondina, aponta líderes em número de derrotas — e traz um panorama que mistura ex-governadores, opositores persistentes e candidatos de legendas menores.

No topo da lista, empatados com três derrotas cada, estão Paulo Souto, Marcos Mendes e Rogério da Luz.

Paulo Souto, personagem conhecido do eleitorado baiano, já ocupou o governo em dois mandatos (1995-1998 e 2003-2007). Depois de deixar o cargo, tentou retornar ao Executivo em três eleições seguidas. Em 2006 foi derrotado por Jaques Wagner, obtendo 43,03% dos votos válidos. Voltou a perder em 2010 e, na última tentativa em 2014, ficou em segundo lugar com 37,39%, atrás de Rui Costa, eleito ainda no primeiro turno.

Marcos Mendes, geólogo e candidato do PSOL, concorreu ao governo em 2010, 2014 e 2018. Em sua terceira experiência, em 2018, ficou fora do segundo turno com 0,66% dos votos válidos, mantendo o retrospecto sem vitórias para o Executivo estadual.

Rogério da Luz completa o grupo com três derrotas. Segundo o histórico eleitoral, disputou a corrida ao governo em 2002, 2006 e 2014. Na última tentativa, pelo PRTB, obteve 0,43% dos votos válidos.

Logo atrás, empatados com duas derrotas cada, aparecem Roberto Santos, João Durval e Lídice da Mata.

Roberto Santos, que governou a Bahia entre 1975 e 1979, perdeu em duas eleições diretas: 1982 — primeiro pleito direto após o período de escolha indireta no regime militar — e 1990, quando foi superado por Antônio Carlos Magalhães.

João Durval, eleito em 1982 e governador entre 1983 e 1987, voltou a disputar o cargo em 1994 e 1998 sem sucesso. Em 1994 perdeu no segundo turno para Paulo Souto; em 1998 ficou em terceiro lugar, atrás de César Borges e Zezéu Ribeiro.

Lídice da Mata soma duas derrotas em disputas pelo governo — em 1990 e em 2014. Nesta última, concorrendo pelo PSB, terminou em terceiro lugar com 6,62% dos votos válidos, atrás de Rui Costa e Paulo Souto.

O levantamento ressalta que, quando se ampliam as disputas para outros cargos, nomes como Marcos Mendes e Rogério da Luz acumulam ainda mais insucessos: ambos somam seis derrotas em candidaturas a vereador, prefeito e outros postos. O deputado federal Zé Neto (PT) é citado por disputar a Prefeitura de Feira de Santana em seis oportunidades (1996, 2004, 2012, 2016, 2020 e 2024) sem vitória, chegando ao segundo turno em 2020 e 2024, mas derrotado por Colbert Martins e José Ronaldo, respectivamente.

Outra referência é Nelson Pelegrino, hoje conselheiro do TCM-BA, que disputou a Prefeitura de Salvador quatro vezes, a última delas em 2012 contra ACM Neto. O fenômeno de candidaturas repetidas e derrotas também existe em âmbito nacional: Luiz Inácio Lula da Silva acumulou quatro derrotas eleitorais antes de chegar à Presidência, e Ciro Gomes teve quatro tentativas presidenciais sem sucesso.

O estudo do A TARDE reforça que a trajetória eleitoral de muitos políticos é marcada tanto por vitórias expressivas quanto por persistência em revezes — um indicador da competitividade e das mudanças do mapa político baiano ao longo das últimas décadas.