Hapvida sob investigação: operação apreende documentos por atendimento a crianças com autismo
A Polícia Civil da Bahia deflagrou nesta segunda-feira, 18, a segunda fase da Operação Neurodignos, com diligências em unidades que oferecem serviços a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Salvador. Entre os locais vistoriados está uma clínica vinculada ao grupo Hapvida.
Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços nos bairros do Itaigara, Horto Florestal, Amaralina e Ondina. Durante as ações, os agentes recolheram documentos, prontuários, registros e três aparelhos celulares, que agora serão periciados pelos investigadores.
A apuração teve início após denúncias de pais de crianças atendidas nessas instituições e informes encaminhados pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP). As ocorrências vêm sendo investigadas desde janeiro deste ano e levantam dúvidas sobre a forma de prestação dos serviços e o cumprimento das condições técnicas exigidas para os atendimentos.
O inquérito está sob coordenação do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), por meio da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon). Também participam das diligências equipes do CRP, do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) e do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor da Bahia (Procon-BA).
Com a apreensão do material, a investigação entrou em nova fase de análise documental. Os responsáveis pela operação informaram que novas diligências ainda podem ser realizadas para aprofundar a apuração e reunir elementos de prova.
Em nota, a Hapvida afirmou manter o compromisso com um atendimento “seguro e de qualidade” para pessoas com TEA e disse ter ampliado o atendimento na clínica Garibaldi. A empresa citou ainda as unidades do Horto e do Itaigara como opções para as famílias em Salvador.
A companhia afirmou que está em contato com os órgãos responsáveis pela investigação e que responderá dentro dos prazos estabelecidos. Segundo a operadora, os protocolos e prazos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) são seguidos e há diálogo contínuo com mães e responsáveis pelos pacientes.
A investigação segue em andamento, com análise do material apreendido e possibilidade de novas medidas para reunir provas sobre as suspeitas. Autoridades não divulgaram prazo para conclusão dos procedimentos.
