Malê Debalê 2026: o balé afro de Itapuã que reafirma realeza, ancestralidade e memória dos Malês
No carnaval de 2026, o Malê Debalê retorna às ruas reafirmando sua espiritualidade, ancestralidade e a realeza simbólica do povo negro. Fundado em 1979 no bairro de Itapuã, o bloco já se consolidou como um dos principais representantes da cultura afro em Salvador e no Brasil, sendo reconhecido nacional e internacionalmente como o “maior balé afro do mundo”.
Com mais de quatro décadas de atuação, o Malê Debalê construiu trajetória marcada pela fusão de dança, música e símbolos que remetem à história e às referências religiosas e culturais de matrizes africanas. O nome e a identidade do grupo carregam também uma referência à memória da Revolta dos Malês, movimento de resistência de 1835 que permanece presente na memória coletiva como um marco da luta contra a escravidão e pela preservação de identidades.
Originário de Itapuã, o bloco mantém uma relação estreita com a comunidade local. Essa ligação reforça a importância do Malê Debalê não apenas como atração carnavalesca, mas como agente cultural que preserva e difunde saberes, rituais e estéticas do povo negro, aproxima jovens às tradições e ocupa espaço central nas celebrações populares.
No desfile, o bloco combina coreografias ensaiadas com ritmos que dialogam com as tradições afro-brasileiras, em um cortejo que valoriza a ancestralidade e propõe uma celebração carregada de simbolismo. Trajes, filigranas coreográficas e elementos cenográficos costumam construir a imagem de uma “realeza simbólica”, presente na forma como o grupo se apresenta e reivindica visibilidade para as matrizes culturais negras.
Ao longo dos anos, o Malê Debalê também conquistou projeção além dos circuitos locais. A fama como “maior balé afro do mundo” traduz o reconhecimento por plateias e críticos, e reforça a posição do bloco como referência em estudos e produções culturais que discutem identidade, religiosidade e memória afro-brasileira.
Para a região do litoral norte de Salvador — incluindo bairros como Itapuã, Stella Maris, Praia do Flamengo e Ipitanga — a presença do Malê Debalê tem significado além do espetáculo: representa resistência cultural e uma afirmação pública de pertencimento. No contexto do carnaval de 2026, o retorno do bloco é anunciado como uma reafirmação desses valores, em que festa e memória caminham lado a lado.
Sem anunciar novidades de roteiro nesta nota, o bloco chega ao próximo carnaval com sua história e simbologia como principais atrativos. O que se mantém claro é a capacidade do Malê Debalê de transformar o cortejo em espaço de afirmação identitária, lembrando o passado e celebrando a vitalidade das tradições afro-brasileiras.
