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Malê Debalê 2026: o balé afro que resgata a Revolta dos Malês e celebra a realeza negra

O Malê Debalê volta ao Carnaval 2026 reafirmando sua vocação espiritual e a ligação com as raízes africanas que moldaram a identidade negra em Salvador. Fundado em 1979 no bairro de Itapuã, o grupo se consolidou como um dos principais blocos afro do país, reconhecido nacional e internacionalmente como “o maior balé afro do mundo”.

Ao longo de mais de quatro décadas, o Malê Debalê transformou o cortejo em palco de memória: uma celebração que remete tanto à ancestralidade quanto à resistência, evocando simbolicamente episódios como a Revolta dos Malês e outras referências históricas da luta do povo negro na Bahia. A partir destes elementos, o bloco constrói uma narrativa visual e performática que mistura religiosidade, dança e figurinos que elevam a ideia de realeza simbólica.

O espetáculo do Malê Debalê não se limita ao entretenimento. Para comunidades como as de Itapuã, Stella Maris, Praia do Flamengo e Ipitanga, o bloco é também símbolo de afirmação identitária. Sua presença no Carnaval traz à avenida imagens e sentido que reforçam laços com tradições religiosas e estéticas africanas, ao mesmo tempo em que dialogam com o presente urbano de Salvador.

A estética do balé afro, que ganhou ao longo dos anos a fama internacional, destaca-se pela precisão coreográfica, pela presença coletiva e pela força de sua cenografia humana. Essa combinação faz do desfile um dos momentos mais aguardados por quem busca, no Carnaval, algo além do popular: um encontro com a memória e com a ancestralidade.

Para 2026, a proposta do Malê Debalê mantém essa combinação de festa e referência histórica, reafirmando a espiritualidade e a realeza simbólica do povo negro. O resultado é um desfile que, ao mesmo tempo em que celebra, educa — colocando em diálogo passado e presente e ampliando a visibilidade da cultura afro-brasileira dentro e fora de Salvador.

Nesta temporada, moradores e visitantes podem esperar a intensidade que já se tornou marca do bloco: coreografias coletivas, símbolos e cores que reconstroem narrativas de resistência e orgulho. Para quem acompanha o Carnaval no litoral norte da cidade, especialmente nos bairros onde o bloco nasceu e se desenvolveu, a passagem do Malê Debalê segue sendo uma experiência de forte carga emocional e cultural.

O Malê Debalê segue, assim, como referência indispensável para entender a presença negra na festa maior de Salvador — e para sentir, em cada compasso, a lembrança de lutas e a celebração de ancestralidades que permanecem vivas.