ÚLTIMAS

Alianças mudam jogo na Bahia: veja quem ganha força na corrida por Ondina

As fusões, federações e migrações partidárias dos últimos anos redesenharam o arco de alianças na disputa pelo governo da Bahia e passaram a ser um termômetro da força política dos candidatos. Para 2026, Jerônimo Rodrigues (PT), em busca da reeleição, e ACM Neto (União Brasil), articulam coligações com composições bem distintas, que refletem tanto acordos locais quanto arranjos nacionais.

No campo governista, Jerônimo ampliou sua base em relação a 2022. A atual coalizão reúne nove siglas: a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), MDB, Avante, PSD, PSB, PDT e DC. Em 2022, a base era formada pela Federação Brasil da Esperança, MDB, Avante, PSD e PSB.

A principal novidade para o lado do governador foi a chegada do PDT, que deixou a aliança com ACM Neto após um período de relacionamento conturbado. O presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, afirma que prefeitos do partido pediram a aproximação com o governo. Entre as razões apontadas pela direção pedetista está a insatisfação com a saída da prefeita de Lauro de Freitas, Débora Régis, que migrou do PDT para o União Brasil em 2024.

O PDT quer transformar a aliança em presença eleitoral mais sólida: a meta anunciada pela direção estadual é eleger até seis deputados estaduais. A chapa proporcional foi montada com nomes conhecidos e ex-integrantes da antiga federação PRD-Solidariedade, como o deputado Marcinho Oliveira, o deputado Pancadinha e o Pastor Tom, além de lideranças de municípios do interior.

Outros pilares da base de Jerônimo são os partidos que mais elegeram prefeitos em 2024: PSD e Avante. O PSD, liderado pelo senador Otto Alencar, domina prefeituras e tem grande bancada municipal e legislativa. O Avante, sob a liderança de Ronaldo Carletto, foi reforçado com egressos do Progressistas e terá papel relevante também na chapa ao Senado, sendo Carletto primeiro suplente do pré-candidato Rui Costa.

A Federação Brasil da Esperança se consolidou como motor estratégico do governo estadual, com presença em secretarias importantes, como a Setre, comandada por Augusto Vasconcelos (PCdoB), e a Setur, ocupada por Maurício Bacelar (PV).

No campo da oposição, ACM Neto busca formar uma coalizão capaz de encerrar duas décadas de governos petistas na Bahia. A composição reúne a Federação União Progressista (União Brasil e Progressistas), a Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade), a Federação PSDB Cidadania (PSDB e Cidadania), além de PL, Podemos, Republicanos, PRTB, Novo e Mobiliza.

Apesar de perder PDT e DC, Neto reforçou laços com Progressistas e Republicanos. A aliança com o PL, liderado por João Roma, foi reaproximada: Roma teve 738.311 votos como candidato em 2022, e sua capacidade de atrair o eleitorado bolsonarista é vista como peça importante para a oposição — mesmo que Neto evite vincular-se publicamente ao bolsonarismo.

Entre os acréscimos ao palanque de Neto estão lideranças do PP, como o prefeito Júnior Marabá e o ex-vice-governador João Leão, e reforços no Republicanos com as filiações de Angelo Coronel e Leo Prates. Há ainda articulação junto a influências religiosas, citando-se o peso da Igreja Universal e a figura de Márcio Marinho.

O cenário baiano também traz candidaturas de terceira via: Ronaldo Mansur (PSOL), em federação com a Rede, e Aroldo Félix (UP). E o pano de fundo nacional é inevitável: a presença do presidente Lula na convenção de Jerônimo, marcada para 1º de agosto, e a forte votação obtida por Lula em 2022 — mais de 72% dos votos válidos e vitória em 415 das 417 cidades — reforçam a tese de que a disputa estadual será fortemente nacionalizada.

Com federações e fusões moldando o mapa eleitoral, a eleição ao Palácio de Ondina se transforma numa disputa de estruturas: quem tiver maior capilaridade municipal e capacidade de transferir voto nacional para o palanque local tende a chegar mais competitivo à disputa.