Descubra o tesouro escondido na Baía de Todos-os-Santos que pode salvar o turismo
O presidente do Conselho Baiano de Turismo, Pedro Costa, afirma que a Baía de Todos-os-Santos tem potencial pouco explorado para o turismo náutico e religioso, apesar da riqueza histórica, patrimonial e ambiental dos 18 municípios à sua volta. Em entrevista ao jornal A TARDE, ele defende transformar esse acervo em roteiros capazes de atrair visitantes e movimentar a economia regional.
Para isso, Pedro Costa propõe a construção de um novo santuário de Santa Dulce dos Pobres em São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, e a criação de um “caminho religioso” integrado ao turismo náutico. As estratégias para desenvolver esse segmento serão discutidas no 2º Fórum Internacional Náutico, realizado nesta quarta e quinta-feira em Salvador.
Segundo o dirigente, além do óbvio potencial paisagístico, a baía reúne um patrimônio arquitetônico e religioso expressivo: igrejas como Nossa Senhora das Candeias, São Francisco do Conde, Itaparica, Loreto, Nossa Senhora de Guadalupe, Maragogipe e Nossa Senhora da Purificação de Santo Amaro, além dos templos históricos de Salvador que dão frente à baía.
“Precisamos desenvolver o turismo náutico religioso com todo esse potencial que nós temos da religião católica”, afirma Costa, lembrando também da importância dos terreiros de candomblé no recorte cultural e turístico da região. Para ele, o recôncavo e Salvador concentram elementos que permitem roteiros variados, do patrimônio colonial às manifestações religiosas de matriz africana.
Uma proposta central do executivo é aproveitar a antiga fábrica da Cocisa, junto à Praia de Inema, em São Tomé de Paripe. O terreno de 500 mil metros quadrados, de propriedade do governo do Estado e atualmente abandonado, está, na visão de Costa, no “local mais alto” de frente para a baía e poderia abrigar um grande santuário dedicado a Santa Dulce dos Pobres.
O dirigente compara o tempo de implantação do Santuário de Aparecida, que levou 35 anos, para lembrar que obras desse porte exigem planejamento e parcerias entre Igreja, setor público e iniciativa privada. Ele ressalta que o Memorial de Irmã Dulce e o atual Santuário, montado no Cine Roma, já atraem visitantes, mas seriam capazes de receber muito mais em um local maior e mais acessível ao litoral.
O impacto econômico esperado inclui a criação de uma indústria de souvenirs no Subúrbio e a geração de receitas para as Obras Sociais de Irmã Dulce, sobretudo para o Hospital Santo Antônio, o maior hospital filantrópico do país, que necessita de fontes de financiamento sustentáveis.
No campo náutico, Pedro Costa aponta que a baía já conta com marinas de qualidade, mas carece de uma indústria náutica local para produção de embarcações e equipamentos. Ele cita os rios Paraguaçu, Maragogipe e Subaé como potenciais áreas para estaleiros, lembrando que o estaleiro do Paraguaçu já opera na região.
Eventos como o 2º Fórum Internacional Náutico, segundo Costa, são oportunidades para atrair experiências internacionais e articular o poder público com investidores. A iniciativa da Associação Náutica da Bahia também trabalha na adaptação do modelo do Caminho de Santiago para criar um “Caminho de Santa Dulce”, que integraria rotas terrestres e marítimas pelo recôncavo.
Pedro Manoel da Costa é advogado, historiador e professor. É presidente do Conselho Baiano de Turismo, diretor de Turismo da Associação Náutica da Bahia e tem longa trajetória em entidades do setor turístico, como a Abav-BA e a Fundação Salvador Convenções e Eventos.
