Jerônimo usa história de origem e obras para conquistar corações na Bahia
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) tem adotado uma postura cautelosa no início da pré-campanha, privilegiando as redes sociais como palanque para defender seu legado e reafirmar suas raízes. Nos últimos dias, as publicações do petista concentram-se em mostrar realizações do governo e em lembrar sua trajetória pessoal, em vez de apresentar propostas novas ou partir para ataques sistemáticos contra adversários.
Uma exceção foi um vídeo em que respondeu ao comentário do ex-governador de Goiás e candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), que afirmou que, caso eleito, iria “alforriar” a população baiana. No vídeo, Jerônimo classificou a declaração como “uma das mais ofensivas e infelizes já dirigidas ao povo baiano” e disse não se surpreender “saindo de onde saiu”.
A reação ao episódio com Caiado vai além da contestação direta: o governador reforçou sua condição de baiano e enfatizou suas origens indígenas e afrodescendentes como forma de estabelecer empatia com o eleitorado. A tática também funciona como contraponto ao principal rival na disputa pelo Palácio de Ondina, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), de família tradicional e origem abastada.
Em uma de suas postagens mais recentes, Jerônimo relatou parte de sua trajetória pessoal: “Você me conhece como governador. Mas antes de tudo, sou filho de um vaqueiro e uma costureira, nasci em casa com auxílio da parteira Dinha Cate, no distrito de Palmeirinha, em Aiquara, no interior da Bahia. Fui o primeiro da minha família a entrar na universidade — e foi lá que conheci o amor da minha vida. Me formei engenheiro agrônomo e professor. E carrego nas minhas origens indígenas o orgulho de ser o primeiro governador afro-indígena do Brasil. Essa história não começou em gabinete. Muito menos em berço de ouro. Começou na roça, no interior, na fé que nos move. E é essa história que orienta todo o meu trabalho pela Bahia.”
Embora ainda não seja candidato oficialmente, Jerônimo tem a convenção partidária marcada para sábado, 1º, quando sua candidatura à reeleição será confirmada em evento que contará com a presença do presidente Lula. Analistas consultados e integrantes da campanha esperam que, a partir da homologação, a comunicação passe a combinar mais propostas diretas com respostas às críticas da oposição.
Enquanto mantém o tom contido nas redes, o governador mostra ações concretas do governo. Nesta semana, visitou o canteiro de obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no Subúrbio de Salvador, projeto que a equipe considera estratégico para ganhar apoio em uma das áreas mais populosas da capital.
Jerônimo também atualizou o andamento da construção do Hospital e Maternidade Regional da Costa do Dendê, em Valença, e tem estimulado a imagem de unidade ao lado dos ex-governadores e pré-candidatos ao Senado Rui Costa e Jaques Wagner. A articulação do “trio” petista busca consolidar a chapa e reduzir eventuais abalos eleitorais provocados por episódios como a operação da Polícia Federal que atingiu Wagner no inquérito sobre fraudes relacionadas ao extinto Banco Master.
Em resumo, a estratégia de Jerônimo mescla defesa do legado, apelo às origens e alinhamento com lideranças do PT, com a expectativa de que a campanha se torne mais propositiva e combativa após a oficialização da candidatura.
