Salvador reabre casarão do século XIX e lança Casa de Espetáculos Letieres Leite
Salvador inaugurou na sexta-feira, 18, a Casa de Espetáculos Letieres Leite, nova opção cultural instalada no Distrito Criativo do Comércio, no Centro Histórico. O espaço integra um complexo que reúne, no mesmo quarteirão, a Casa de Espetáculos, a Cidade da Música e a Escola de Música Letieres Leite, com previsão de inauguração para o primeiro semestre de 2027.
Autoridades municipais estiveram presentes à cerimônia, entre elas o prefeito Bruno Reis, a vice-prefeita Ana Paula Matos e o secretário municipal de Cultura e Turismo, Alexandre Reis. A abertura contou com apresentação do Coletivo Rumpilezzinho, com participação do cantor Lazzo Matumbi, e atividades do projeto Comércio Vivo, incluindo projeção mapeada, iluminação cênica e comidas típicas de rua.
O novo equipamento tem sala com capacidade aproximada para 150 pessoas e infraestrutura pensada para formatos variados de apresentação. O teatro foi equipado com sistema de som imersivo de alto padrão, transmissão por fibra óptica, camarins, área técnica e recursos de acessibilidade universal, permitindo uso tanto para espetáculos quanto para ações de produção e circulação cultural.
“A Casa de Espetáculos, aqui no centro comercial antigo da nossa cidade, é para apresentações musicais, teatrais, música, dança, jovens talentos que serão treinados na Escola de Música. Às vezes poderão se apresentar aí, podemos ter apresentações dos movimentos culturais, dos coletivos do bairro de Salvador”, declarou o prefeito Bruno Reis durante o evento.
A vice-prefeita Ana Paula Matos ressaltou a vocação formativa do equipamento e a continuidade do trabalho do maestro Letieres Leite. “A Casa de Espetáculos é um espaço de formação, circulação artística e geração de oportunidades. Ao lado da Cidade da Música e da futura Escola de Música, ela fortalece o Comércio como polo cultural e mantém vivo o legado de Letieres, um mestre que traduziu a força da música negra baiana”, afirmou.
O prédio onde a Casa foi instalada é um casarão do século XIX que estava em ruínas. O restauro foi conduzido pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), que buscou preservar elementos históricos ao mesmo tempo em que atendeu às exigências técnicas de um teatro contemporâneo. Tânia Scofield, presidente da FMLF, lembrou que o imóvel apresentava poucos elementos preserváveis: “Este projeto é mais do que um equipamento cultural, é a preservação do patrimônio, da história e da memória de Salvador. O que nós encontramos aqui foi uma ruína, havia apenas uma parede interna e as paredes externas, feitas de adobe e pedra, ainda do Século XIX”.
O nome do equipamento homenageia o maestro Letieres Leite, referência da música baiana e criador da Orkestra Rumpilezz. A Casa está vinculada à trajetória do músico, marcado pela pesquisa, educação e criação artística a partir das matrizes africanas presentes na música baiana. Letieres também criou o Universo Percussivo Baiano (UPB) e atuou na formação de jovens músicos, trabalho que deu origem ao Rumpilezzinho, presente na inauguração.
Líris Letieres, irmã do maestro, emocionou-se ao falar sobre a importância de manter o legado: “Letieres foi um homem muito lutador. Ele lutou pela música afro-diaspórica. Ele estudou, pesquisou e trouxe o rigor que existe na música ancestral. Letieres deixou o seu registro como educador em meninos e meninas baianos através do Rumpilezzinho”.
A programação segue no sábado, 19, às 18h, com o Encontro de Cantautoras — Lívia Nery, Manuela Rodrigues e Neila Kadhi — e no domingo, 20, às 14h, com o espetáculo infantil Fala Ibeji, que aborda infância e ancestralidade. Haverá também formação de plateia com famílias das comunidades do entorno, incluindo Gamboa, Solar do Unhão e Calabar.
Na cerimônia, o prefeito Bruno Reis adiantou outras entregas culturais previstas: o novo Teatro Vila Velha e o Passeio Público na sexta-feira seguinte; o Centro Cultural do Subúrbio em outra sexta-feira, dia 2; além da nova sede do Ilê Aiyê até dezembro, com esforço para entrega em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. “Eu preciso entregar esses equipamentos para a minha cidade”, disse o prefeito, citando ainda obras como a Arena Multiuso na Boca do Rio e o Centro de Convenções do Centro Histórico.
