Show de Anitta em Salvador termina em choro, orixás e participação surpreendente
Anitta encerrou, no sábado, 29 de agosto de 2026, a série de cinco apresentações da Equilibrivm Tour 2026 no Brasil com um show marcado por fé, ancestralidade e participações baianas. Com ingressos esgotados, a apresentação aconteceu no Centro de Convenções Salvador, na Boca do Rio, e trouxe ao público referências explícitas às tradições presentes em Equilibrivm e Equilibrivm II.
O espetáculo teve cerca de 35 músicas divididas em três atos e concentrou-se nos dois projetos lançados em 2026. A nova fase da artista incorpora elementos das religiões de matriz africana, pontos de Umbanda, mantras budistas e referências indígenas, o que deu tom ritualístico a vários momentos da noite.
Antes de subir ao palco, em coletiva em Salvador, Anitta disse ter se emocionado com a reação do público. “Eu fiquei muito emocionada porque, pela primeira vez, eu fiz um show em que as pessoas choram durante, as pessoas se emocionam e cantam todas as letras do início ao fim”, afirmou. A cantora ressaltou ainda que a turnê mostrou que vale a pena assumir riscos artísticos: “É um show que, para mim, eu vejo como um milagre: você lançar um álbum e, menos de um mês, na semana seguinte após lançar o 2, já estava fazendo os shows. E, para mim, ver todo mundo cantando foi mágico.”
O que deu dimensão local à apresentação foi a presença de artistas e referências baianas no palco. Um dos momentos mais comentados foi a participação do Grupo Ofá, coletivo ligado ao Terreiro do Gantois, que subiu com Anitta para interpretar “Contemplação”, faixa de Equilibrivm II inspirada em cantigas dedicadas a Oxum. A performance foi marcada por atabaques e percussão, adereços de palha e folhas, além de iluminação em tons avermelhados.
Os integrantes do Grupo Ofá usaram trajes brancos com ornamentos que remetem aos orixás. A entrada do número incluiu uma declamação sobre presença, renovação e paz interior; em seguida, Luciana Baraúna entoou versos em iorubá enquanto Anitta conduzia trechos em português. Liniker também participou do espetáculo em um dos encontros que fecharam a etapa nacional da turnê.
Anitta falou sobre a influência baiana nos discos: “Eu acho que a Bahia traz muito das religiões de matriz africana. Elas fazem muito parte da história da Bahia como um todo, acho que isso faz com que estejam muito presentes as referências baianas no meu álbum.” A cantora citou ainda colaborações presentes nos projetos, como Maria Bethânia, Melly e Luedji Luna.
Sobre a nova fase, Anitta garantiu que não abandonará a sensualidade que marcou sua carreira, mas explicou que Equilibrivm mostra um lado que ela ainda não havia cantado publicamente: “Essa sensualidade que eu amo nunca vai deixar de ter. Mas existia esse outro lado, que é o que hoje vocês veem no Equilibrivm, que eu não tinha cantado ainda para ninguém.”
Ela também avaliou a recepção aos discos como além das expectativas: “Foi muito mais do que eu esperava… Eu estou só gratidão porque, de fato, tudo deu 100% certo. Ou, mais, 200% certo.” Ainda assim, deixou claro que não quer ser vista como uma “guru” espiritual: “Eu não gosto de me colocar nesse lugar de instrumento porque as pessoas confundem muito com o guru… Eu sou um ser humano que vai continuar errando na vida.”
Questionada sobre o Ensaio da Anitta em Salvador, não confirmou data, mas prometeu novidades: “A gente vai liberar as datas logo vocês vão saber.” Ela explicou que a turnê brasileira teve menos datas antes do Carnaval e que isso foi motivo de tristeza, motivo pelo qual a Equilibrivm Tour ajudou a suprir a demanda por shows no país.
Antes do início das apresentações, o público teve acesso à Vila Equilibrivm, espaço dedicado a atividades de bem-estar, ancestralidade e autoconhecimento, que complementou a experiência proposta pelo espetáculo.
