Você precisa adiantar o relógio em 2026? Governo diz que não haverá horário de verão
O Ministério de Minas e Energia (MME) confirmou que o horário de verão não será retomado no Brasil para o período 2026/2027. A decisão mantém a suspensão da medida que está em vigor desde 2019, após avaliação técnica do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).
O posicionamento consta no relatório de monitoramento da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, publicado em 31 de agosto, e foi reforçado pelo ministério em nota enviada à imprensa em 21 de setembro. Segundo o documento, os estudos prospectivos realizados pelo ONS não indicaram benefícios que justifiquem o adiamento dos relógios para o próximo verão.
Na prática, isso significa que brasileiros e brasileiras não precisarão adiantar seus relógios em uma hora nos próximos meses. A determinação vale também para os estados que tradicionalmente adotavam o horário de verão, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.
O retorno do horário de verão chegou a constar na agenda do setor elétrico no início de 2026. Em 11 de fevereiro, durante a 315ª reunião do CMSE, foi aprovada a Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, que previa uma avaliação sobre a necessidade de implantação do horário de verão no período 2026/2027.
Os resultados desses estudos foram apresentados no relatório de monitoramento do segundo trimestre e a ação foi classificada como concluída. O texto afirma que as análises discutidas no âmbito do comitê não apontaram pertinência técnica para a implementação da medida neste ciclo.
O MME também ressalta que o adiantamento dos relógios não é considerado uma medida estrutural para suprir as necessidades de potência do sistema elétrico. Em nota, a pasta informou que continuará acompanhando as transformações do setor, incluindo efeitos da transição energética e das mudanças climáticas, e que o CMSE manterá avaliações periódicas sobre a política pública.
A suspensão do horário de verão no Brasil ocorreu por decreto presidencial em 25 de abril de 2019 (Decreto nº 9.772), que encerrou formalmente a prática. O governo de 2019 apontou que, por mudanças nos hábitos de consumo — sobretudo o aumento do uso de aparelhos de ar-condicionado —, o pico de demanda de energia passou a se concentrar mais à tarde do que no início da noite, reduzindo os benefícios da medida.
Historicamente, a prática começou em 3 de outubro de 1931, durante o governo de Getúlio Vargas (Decreto nº 20.466), e, ao longo das décadas, foi regulamentada por diversos decretos até sua revogação em 2019.
Apesar de descartada para 2026/2027, a possibilidade de retomada no futuro não está completamente eliminada. Em 2024, uma seca severa levou o CMSE a recomendar a volta do horário de verão, mas o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou em 16 de outubro de 2024 que a medida não seria adotada após melhoria nos reservatórios, afirmando que “não há necessidade de decretação do horário de verão para este período”.
O CMSE segue monitorando as condições de abastecimento, inclusive com ações relacionadas ao El Niño, mas até que um novo decreto presidencial seja publicado não haverá alteração nos horários oficiais em todo o território nacional.
