El Niño pode atingir forte intensidade até outubro e elevar risco de extremos climáticos, alerta ONU
O fenômeno El Niño deve ganhar força nos próximos meses e pode atingir intensidade forte entre agosto e outubro de 2026, segundo avaliação divulgada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em comunicado publicado na última sexta-feira (31), a entidade informou que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico aumenta a probabilidade de temperaturas acima da média em diversas regiões do planeta, além de provocar alterações significativas nos regimes de chuva.
As projeções indicam que o El Niño poderá ocorrer ao mesmo tempo em que se desenvolve um Dipolo Positivo do Oceano Índico. A combinação dos dois fenômenos tende a potencializar eventos climáticos extremos, elevando o risco de secas prolongadas, enchentes e incêndios florestais, principalmente em países localizados no entorno do Oceano Índico.
Outro fator de preocupação é a permanência das águas do Atlântico Tropical acima da média de temperatura, o que pode influenciar ainda mais o comportamento do clima em diferentes continentes.
Segundo a OMM, a temperatura da superfície do mar nas regiões central e leste do Pacífico Equatorial poderá ficar até 2,9°C acima da média histórica entre agosto e outubro. Caso essa previsão se confirme, o episódio será classificado como um El Niño de forte intensidade.
Aquecimento global amplia os impactos
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que os efeitos do El Niño se somam ao aquecimento global provocado pela emissão de gases de efeito estufa oriundos da queima de combustíveis fósseis.
De acordo com Guterres, essa combinação pode intensificar ondas de calor, incêndios florestais e o aumento da temperatura dos oceanos, que já vêm registrando níveis recordes em diversas partes do mundo.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou que as previsões climáticas são fundamentais para que governos, empresas e comunidades possam adotar medidas preventivas antes da ocorrência dos eventos extremos.
Segundo ela, o desenvolvimento do fenômeno em um contexto de oceanos excepcionalmente quentes reforça a necessidade de ampliar os sistemas de monitoramento e de alerta precoce, especialmente em áreas mais vulneráveis.
Setores como agricultura, saúde pública e defesa civil estão entre os que podem se beneficiar do planejamento antecipado para reduzir impactos econômicos e sociais.
A OMM informou ainda que vem ampliando a cooperação internacional e fortalecendo os sistemas de alerta para apoiar governos, organizações humanitárias e atividades diretamente dependentes das condições climáticas.
