Ser rio…
Em quase todas as culturas, a ideia de transformar-se, de cunho religioso ou não, se faz presente na mutação: árvore, peixe, rio… Se um gênio me oferecesse tal dádiva diria que quero o rio. Primeiro pelo fato da água ser fluída e encantadora podendo tomar várias formas e estados físicos, cíclicos e perfeitos. A água / rio acolhe nossa nudez e nos mergulha nas profundezas levemente, permitindo um “strip tease” de alma que flui como ele, atravessando obstáculos, indo aos poucos a caminhos inimagináveis.
No viver autêntico, sem amarras ou algemas, com uma pitada de loucura, veremos que mesmo quando formador de lagoas ele se sabe livre e pleno, nos redimensionando a outras margens com todas as reticências …
Não permitamos os bloqueios das nascentes, fortaleçamo-nos com as chuvas, criemos coragem e libertemo-nos para…
Texto: MCarmo Salomão
“O RIO E O OCEANO
Diz-se que, momentos antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Podemos apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece.
Porque apenas então o rio compreende que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento.
Assim somos nós. […] “
(Gibran Khalil Gibran)
